16 de jul de 2007

13 de jul de 2007

Fazendo o que se gosta

Projetar trata-se de um desafio à técnica e à criatividade, desafio este, maior à segunda que à primeira. Já que a técnica embasa a execução da obra, mas a criatividade dá essência vital à obra... a criatividade é o âmago da obra!

Quando somos forçados a fazer coisas que não gostamos, ocorre um bloqueio natural e inconsciente de nossa criatividade, o projeto torna-se pesado e não sentimos prazer em fazê-lo. Isso não só em arquitetura, mas em qualquer área produtiva ou intelectual.

Precisamos amar o nosso projeto, não nos apaixonarmos por ele. A paixão é cega e pode até matar – vejamos os casos de crimes passionais. Quando falo de amarmos nossos projetos, digo que necessitamos estar satisfeitos, realizados, satisfazendo e realizando as necessidades dos clientes-usuários, afinal o amor é mútuo.

É difícil associarmos as exigências do programa, com a técnica, com os conceitos e desejos que temos na cabeça, mas é profundamente necessário agregarmos todas essas questões. Primeiro temos que saber ler e interpretar o discurso de quem nos encomenda a obra. Conhecermos bem o que o cliente deseja é fundamental. Algumas vezes temos que ser psicólogos ou algo parecido para captarmos o que o ansioso e exigente – quase sempre chato – cliente deseja. Depois precisamos avaliar as possibilidades técnicas e financeiras: materiais, transporte, mão-de-obra etc. E finalmente a criatividade... Não a criatividade forçada, aquela que usamos para podermos apresentar um produto no prazo, mas a criatividade intuitiva e prazerosa. Que muitas vezes fascina até o chato cliente e que nos deixa realizados como profissionais.

Não a nada melhor que um projeto que faça feliz tanto ao projetista como ao cliente. E para isso é necessário fazer o que se gosta.

Nenhum operário, artista, intelectual ou outro individuo produtivo – assim por dizer – está realmente realizado com seus feitos se os fez forçosamente, por um prazo, uma obrigação contratual ou outra necessidade de o obrigue a executar suas funções. Arquiteto tem que amar o que faz!

Não adiantam obras caras e laboriosas, com as técnicas mais avançadas para satisfazer os usuários e os projetistas. É necessária sim, uma arquitetura livre e criativa que atenda as necessidades do programa.

Não vamos ser insensatos, pensado que casar o gosto e necessidade do cliente, com os recursos técnicos disponíveis e nossa criatividade é uma tarefa fácil. Em geral um deles sempre saí perdendo... E já que algum desses três elementos tem que ser desfavorecido, que o seja o menos sustentável, o menos embasado; mesmo que isso implique numa mudança da proposta projetual, mas nunca vejamos isso como negativo, mas como mais um desafio à nossa criatividade. O que não podemos é desgostar do projeto, isso jamais, por qualquer motivo, mas se acontecer é melhor se humilde e voltar atrás, pedir ao cliente que procure outro projetista, ou reatarmos com o projeto – assim por dizer! Precisamos sentir prazer ao projetar e gostar do trabalho que estamos fazendo!
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