12 de abr de 2007

Precisamos nos amar: Para arquitetos e engenheiros

Há uma briga defendida, ora por arquitetos, ora por engenheiros, ora pos ambos, acerca das suas respectivas funções. Arquitetos defendem as qualidades estéticas, plásticas e conceituais das edificações; engenheiros vêem as mesmas obras segundo a ótica da técnica... Alguns nunca chegam a um consenso do que é mais importante: se o rigor da técnica ou a beleza formal e conceitual dos edifícios.

Separando valores de profissionais e profissionais, não podemos deixar de compreender que uma boa arquitetura não está dissociada da técnica e que para que o primor da técnica possa ser executado o conceito projetual de arquitetura deve exprimi-lo e detalha-lo da forma mais abrangente possível.

Uma boa obra só é possível se casarmos a poesia do projeto de arquitetura com o domínio as técnica. Sendo assim, faz-se necessário que estruturalistas, projetistas de instalações e demais técnicos não subestimem a necessidade de um excelente projeto arquitetônico; e que os arquitetos não desprezem a importância de conhecer, dominar e respeitar os parâmetros técnicos. Afinal, que grande, bela e excelente obra de arquitetura foi erigida sem a excussão minuciosa de uma estrutura? Ou que excelente estrutura pode erguer-se sem uma arquitetura para acolhê-la?

Vejamos os exemplos que a história nos oferece como as catedrais góticas, que possuem toda uma linguagem plástica estética e funcional, que denotam os interesses e objetivos de uma geração em seu tempo. Analisemos os grandes vãos, as envasaduras, a técnica de excussão (um segredo bem guardado até os nossos dias), como as soluções técnicas respondem ao programa desejado. E esse é só um dos muitos exemplos na história.

Atualmente a coisa não é muito diferente. Vejamos arquitetos como Calatrava – que possuí as formações de arquiteto e engenheiro – Foster, Piano e os grandes arquitetos do momento. Que, se não tivessem conhecimento e domínio das tecnologias construtivas e dos materiais não conseguiriam alcançar as soluções arquitetônicas e os grandes resultados estéticos que nossa geração tem visto. As obras desses profissionais necessitaram – afirmo sem qualquer dúvida – de técnicos calculistas, instaladores, construtores e até operários que puderam dar vida a obras excelentes.

Arquitetos precisam se não amar ao menos respeitar engenheiros e engenheiros precisam de não amar ao menos respeitar arquitetos. Mas bom é que nos amemos. Que os arquitetos amem as estruturas, as instalações, os materiais, as técnicas construtivas... São elas que tornam a arquitetura realidade! Que os engenheiros amem a espacialidade, a plástica e a formas... São elas que exigem o rigor da técnica, para que possam ser bem executadas! Afirmo sem medo de retaliações: precisamos nos amar!

É muito gratificante para um engenheiro trabalhar com um arquiteto que conhece, domina e discute sobre instalações, estruturas, construções e outras soluções técnicas que a arquitetura necessita para existir. Como é gratificante para um arquiteto um engenheiro que respeita e possibilita a execução de suas idéias!

Precisamos deixar de orgulhos e “estrelismos”, tanto arquitetos como engenheiros, passarmos a nos respeitar e entendermos que arquitetura e engenharia são têm o mesmo objetivo: realizar sonhos e atender necessidades!
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